História do Coritiba

O Coritiba de 1909 a 1928

 

Neste período, anos em que o Coritiba teve sua origem, o mundo passava por um tempo de mudanças e o futebol estava longe de ser o esporte favorito de nosso país. Condição diferente da que vemos hoje.


O Brasil e o Mundo

O Brasil vivia há 20 anos em regime de democracia. Em 14 de junho de 1909 o presidente Afonso Pena faleceu e Nilo Peçanha assumiu a República.

Ainda em 1909 o mundo viu nascer a cantora Carmem Miranda, em Portugal, um ano depois sua família veio ao Brasil, onde ela conquistou fama como atriz e cantora. Um ano depois, nasceu Chico Xavier.

O Futebol

O pioneirismo coxa-branca deu início a uma nova história em um esporte que buscava ser reconhecido por essas terras. Mas na época não havia torneios ou campeonatos, tão pouco o reconhecimento e o glamour dos tempos atuais. A prática era apenas uma diversão que reunia familiares e amigos mais próximos dos atletas. Neste cenário surgiu o Coritiba, fruto do amor de desportistas daquele tempo.

O primeiro Campeonato Paranaense foi disputado somente em 1915 e logo no ano seguinte, no Paranaense de 1916, o Coritiba erguia seu primeiro troféu, ao vencer o Britânia, em final disputada já em janeiro de 1917.

A competição ainda era uma dúvida em relação a sua credibilidade e qualquer jogo de futebol era motivo de alegria e festa. Nos anos de 1917, 1920 e 1921 o Coxa conquistou o Torneio Início, competição que tinha os jogos com tempo reduzido e campo com dimensões menores.

Dia do Atleta Coritibano

A Seleção de São Paulo era a base da Seleção Brasileira. Em 1920, em passagem por Curitiba, goleou a Seleção Paranaense por 6x1. No ano seguinte, em dia 15 de agosto, em uma partida cheia de emoções, o Coxa vingou os paranaenses ao vencer a Seleção Paulista por 1x0 com gol de Abílio Fruet, fazendo o futebol paranaense ficar em evidência pela primeira vez no âmbito nacional.

Cinco anos depois o Cori tinha uma partida marcada contra a Seleção Gaúcha para o dia 04 de agosto. Devido a uma intensa chuva no dia do jogo, o confronto teve sua data alterada para 15 de agosto. Neste evento surgia então uma emblemática circunstância, nascia a mística da alma guerreira. O Coxa venceu por 3x1 e a data ficou registrada na história como o Dia do Atleta Coritibano. Em 1985 o eterno presidente Evangelino alterou a data para o dia 1º de agosto, dia em que a equipe conquistou o seu primeiro Campeonato Brasileiro.

Conquistas
Uma década depois o futebol apresentava um novo panorama. O Britânia era o clube paranaense com maior número de títulos e o esporte se aproximava da profissionalização. Já se pensava, inclusive, em organizar uma Copa do Mundo reunindo as principais seleções mundiais.

Em 1926, Major Antônio Couto Pereira assume a presidência do Coritiba e logo conquista seu primeiro título, o Paranaense de 1927, com vitória sobre o Palestra Itália. O segundo título na história do Coxa serve para mostrar que o Clube era uma das forças do esporte no estado e igualava o Verdão ao Palestra, que também se destacava no cenário. No entanto, o principal campeão era o Britânia, Hexacampeão entre 1918 e 1923.

Coritiba de 1929 a 1948


É justamente na década de 30 que o futebol começa a profissionalizar-se no Brasil, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No Paraná, coube novamente ao Coritiba sair na frente. A partir daí o time despontou e na década seguinte alcançou a hegemonia estadual no esporte. O Verdão estava um passo a frente de todos na terra dos pinheirais; recebia convites para jogar fora de nossas fronteiras, destacando-se dos demais.

O Brasil e o Mundo

Mesmo deixando seqüelas e uma constante incerteza política, a I Guerra Mundial havia passado. Após a quebra da bolsa de Nova York, em 1929, o mundo enfrentou um momento conturbado e inevitavelmente as conseqüências chegavam aos produtores de café brasileiros, fator que favoreceu a quebra da política do café-com-leite. Os prenúncios de um novo conflito eram iminentes, apesar da aparente tranqulidade.

O mundo entrava em uma nova fase. As conseqüências da Revolução Cultural atingiam as classes mais baixas oferecendo lazer em uma nova situação de vida. Walt Disney encabeçava a indústria do entretenimento e lançava o personagem Mickey Mouse. Os cinemas eram a atração em todo o planeta, a máquina fotográfica trazia uma perspectiva jamais experimentada ao mundo, que agora começava a viver de forma acelerada.

No Brasil surgiam as principais escolas de samba, sobretudo no Rio de Janeiro, e começavam a realizar desfiles não-oficiais. O ano de 1930 marca o fim da República Velha e Getúlio Vargas comanda o país por 15 anos, até 1945.

Em busca da hegemonia

O Coritiba passa a brigar de igual para igual com os principias adversários do estado e conquista 8 títulos em 20 anos, assumindo a supremacia do estado para nunca mais largar. Nos anos 30 foram quatro títulos em anos ímpares - 1931, 1933, 1935 e 1937. Na década de 40, dois Bicampeonatos; a primeira dobradinha em 1941/42 e a segunda em 1946/47.

Além do Bi, a nação coxa-branca celebra com a conquista de 47 o título de Campeoníssimo, quando conquistou o Estadual de todas as categorias.

Coritiba de todas as cores


O título de 1931 é um capítulo a parte na história alviverde, principalmente a decisão com o Palestra Itália, favorito ao título daquele ano.

A decisão, realizada no Estádio do Parque da Graciosa, o segundo estádio do Cori, no Juvevê, contou com um personagem que está eternizado em nossa história, Moacir Gonçalves, o primeiro negro a vestir uma camisa de clubes da capital que existem até os dias atuais.

Moacir era treinador e jogador da equipe, fato comum na época, e vendo sua equipe perder por 3x1 resolveu entrar no jogo. Faltando 20 minutos, o Coxa virou para 5x3. O Palestra, que precisava apenas do empate para se tornar campeão, ainda diminuiu, mas não evitou a derrota.

Uma vitória arrebatadora em cima do favorito; um time de alma guerreira, sentimento que as cores verde e branca já traziam em suas raízes perpetuando em nossa história.


O tempo reservava para uma década depois deste fato uma história clássica na qual o Coxa foi vítima de preconceito de um dirigente do Atlético-PR e recebeu o apelido de coxa-branca.

Passando fronteiras

Em 1932 o Coxa inaugurou seu estádio próprio, o Belfort Duarte. O jogo de inauguração foi diante do América-RJ, Campeão Carioca. Em 27 de abril de 1940 coube ao Coritiba inaugurar o Pacaembu, um dos principais estádios do país; casa paulistana construída com uma arquitetura moderna e imponente. A convite da Federação Paulista, lá foi o Campeão Paranaense participar do evento e o coritibano Zequinha marcou o primeiro gol do estádio, fato registrado em placa.


Coritiba de 1949 a 1968

Até então apenas quatro equipes dividiam os títulos no estado; além do Coxa, Atlético-PR, Britânia e Ferroviário. O Verdão, pela sua representatividade, era o mais conhecido fora do estado, afinal já havia recebido equipes de todos os cantos do país em sua casa, saíra para jogar fora outras vezes e participou da inauguração do Pacaembu uma década antes. Era hora de provar com a conquista de títulos sua supremacia absoluta.

O Brasil e o Mundo

O mundo estava recomeçando, afinal fazia pouco tempo que a II Grande Guerra teve seu fim, em 1945. No início de 1952, Elizabeth II se torna Rainha do Reino Unido. Após deixar a presidência do Brasil em 1945, Getúlio volta em 1951 e fica até 1954, ano em que faleceu, suicidando-se com um tiro no peito. Café Filho assume o país.

A Copa em casa

Em 1950 foi realizada a quarta Copa do Mundo e o Brasil foi escolhido como sede. Nesse período, forças políticas se mobilizaram para a construção de grandes estádios, afinal o esporte já era o mais popular do país. Foi construído no Rio de Janeiro o Estádio Maracanã, que recebeu o maior público da história do futebol na final daquele mundial; quase 200 mil pessoas.

Em Curitiba, Aryon Cornelsen pensava na construção de um grande estádio para a cidade, mas a idéia não era bem aceita pela sociedade. Quando se tornou presidente do Coritiba, colocou em prática seu projeto, que virou realidade anos depois.

Absoluto

Se era preciso conquistar títulos para mostrar sua força, o Coritiba provou em campo que as ambições de seus fundadores se tornaria realidade. Foi Bicampeão em 1951/52, Campeão 1954, e voltou a ser Bi em 1956/57 e 1959/60. Além disso, um erro de arbitragem em 1950 tirou do Alto da Glória a conquista de mais um campeonato, que poderia ter fechado uma seqüência de três títulos. A partir disso, o Tri era uma obsessão.

O maior campeonato

A década de 60 marca uma transformação na história do futebol paranaense. Coritiba e Atlético-PR iniciam a profissionalização do futebol e Britânia e Palestra Itália, que dividiam os títulos em outros tempos, ficam para trás.

Eis que os dirigentes da época promoveram um dos maiores Campeonatos Paranaenses de toda história. Após ser rebaixado para a segunda divisão do Estadual em 1967, o presidente do Atlético-PR reuniu o presidente do Ferroviário e Evangelino da Costa Neves, então presidente do Verdão. O atleticano precisava do apoio político dos dois representantes para virar a mesa. Porém, a condição foi que a competição em 1968 seria a mais bem organizada e com mais investimentos de toda a história.

Assim fizeram. A competição foi um sucesso, com estádios cheios e uma final emocionante, decidida com um gol de Paulo Vecchio, no último minuto, que levou a Taça para o Alto da Glória.

Coritiba de 1969 a 1988


Nunca o Coritiba foi tão campeão em sua história como nas décadas de 70 e 80. Após a conquista do Bicampeonato Paranaense em 1969, o Clube simplesmente ganhou tudo. O Tricampeonato Estadual, que era uma obsessão, se transformou em Hexa. Foram ainda duas grandes conquistas nacionais e feitos internacionais. Com patrimônio consolidado e um crescimento fantástico de sua torcida, esta época é considerada o tempo áureo alviverde no século passado.

Tempos de rock, paz e amor

Nos anos 70 os movimentos musicais impulsionavam o Rock’n Roll em todos os cantos do planeta. Era época da rebeldia da juventude e o crescimento da revolução comportamental que teve início na década anterior. Os anos sessenta foram chave para momentos únicos. Surgiu o Jeans, a liberação sexual, movimentos de minorias e maior envolvimento de jovens com as circunstâncias das políticas governamentais.

Os jovens se divertiam nas pistas de dança e nos Estados Unidos começavam a consumir drogas sintetizadas (produzidas em laboratório). Também foi a época que cresceu a crise do petróleo, em paralelo com o crescimento da economia do Japão. Já a década de 80 ficou marcada pelos acontecimentos políticos e sociais. Divide a era industrial da era da informação. A Guerra Fria manteve as nações em constante alerta de guerra, mas os tempos eram outros, as pessoas queriam viver.

Ganhado tudo

O Brasil inteiro assistia pela televisão Pelé e companhia levantar a taça da Copa do Mundo de 1970. O Tricampeonato conquistado no México consolidava o Brasil como o país do futebol. Aqui no Paraná, uma seleção de talentos despontava com a camisa coxa-branca e colocavam o Clube em um novo patamar de sua história.

Campeão absoluto no Estado, ainda faltava a conquista de um Tricampeonato Paranaense. A obsessão era tão grande que o Clube foi Hexa. Entre 1971 e 1976 só deu Coxa e 1978 e 1979 não deu outra, novo Bicampeonato.

Mas além das conquistas dentro do estado, o Coritiba apareceu para o cenário nacional e internacional. Em uma excursão realizada pela Europa, África e Ásia em 1972, o Coxa conquistou a Fita Azul, após uma série invicta de partidas. Em 1973 o Verdão foi Campeão do Torneio do Povo, competição que reunia os clubes do Brasil com maior torcida, como Flamengo, Corinthians, Atlético-MG, Internacional e Bahia.

Parecia muito, mas a maior glória ainda estava por chegar. Em 1985 o Cori foi Campeão Brasileiro. Uma conquista inédita. Após eliminar Santos, São Paulo, Fluminense, Flamengo, Coritnhians, Atlético-MG, entre outras equipes, o Verdão chegou a decisão contra o Bangu, do Rio de Janeiro.
Em uma única decisão, no maior estádio do mundo, mais de 100 mil pessoas lotaram o Maracanã e viram Índio abrir o placar. Os cariocas empataram no tempo normal e o goleiro Rafael, um dos destaques daquela competição, salvou o Coxa com a bola rolando.

Na disputa por pênaltis, vitória alviverde por 6x5, fazendo a alegria de 10 mil coxas-brancas no Maraca e milhares espalhados pelos quatro cantos do Brasil. Pela primeira vez na história, Curitiba era a nova capital do futebol brasileiro.

Cenário nacional

O Coritiba montou um grande time para a disputa do Brasileiro de 1989, com jogadores de alto nível e brigando pelo título. Na última rodada da primeira fase o Verdão encarava o Santos, em partida que era para ser no Couto Pereira. No entanto, a perda de mando de campo levou o jogo para Juíz de Fora (MG). Porém, a CBF marcou a data do jogo antes dos outros jogos da rodada. O Coritiba ganhou uma liminar na Justiça Comum para não jogar, mas acabou prejudicado e suspenso da competição, sendo rebaixado para a série B na caneta.

Coritiba de 1989 a 2008

Foi neste momento que o Coritiba viveu um de seus períodos mais difíceis. Porém, tudo o que construiu durante sua história fez nascer uma torcida apaixonada e vibrante, que esteve junto com o time em todos os momentos.

A era da informação

Com a queda do muro de Berlim, em 1989, findava definitivamente a briga entre comunismo e capitalismo. O confronto passava a ser cultural, representado sobretudo entre as brigas dos Estados Unidos com nações do Oriente Médio, sempre justificadas pela busca da paz e pela luta contra o terrorismo.

Os anos 90 começaram com o sentimento de negação cultural típico de mudanças de décadas. O cinema, a música, a televisão e a cultura popular passaram a ser integradas com cada canto do planeta e a mundialização causava alvoroço e muitas expectativas. A internet alavancava o novo frisson de um planeta virtualmente interligado.
O Brasil já vivia sob o regime de uma nova república, graças a campanha das Diretas Já, dos intensos movimentos populares e do empenho da opinião pública.
Momentos difíceis

Em 1989 o Coxa tinha um time que enchia os olhos dos torcedores e era visto com muito respeito pelos adversários. Depois de perder o mando de campo, o Coritiba teve sua partida contra o Santos marcada para Juiz de Fora, em Minas Gerais. O detalhe é que o jogo seria um dia antes do jogo do Vasco, adversário direto do Coxa à fase seguinte da competição.

O Verdão entrou na justiça comum e nesta esfera conseguiu uma liminar que lhe garantia não comparecer na partida. A Confederação Brasileira não aceitou a decisão e rebaixou o Coritiba, que não foi a Minas. Após ser vítima de um rebaixamento na caneta, o Coritiba não viveu seus melhores dias.

Neste cenário de dificuldades entrava em cena um dos grandes ídolos da história verde e branca, o meia Pachequinho. Formado nas categorias de base do Clube, ele era o símbolo da luta coxa-branca. Alguns anos depois surge Alex, outro ídolo. O Clube se credenciava a um dos grandes reveladores de talentos do país.

Ausência de títulos e série B do Brasileirão. A única alegria vinha das arquibancadas, pois a torcida mantinha seu calor aceso. Somente 10 anos depois da conquista de 89 o torcedor voltou a gritar “é campeão”. O título estadual de 1999 trouxe novas esperanças a torcida. No ano seguinte o time iniciou bem o Estadual, mas acabou perdendo na final, e o sonho do Bi ficou para outro momento.

Em 2000, aconteceu uma grande confusão na organização do Campeonato Brasileiro, que foi chamado de Copa João Havelange. Infelizmente a competição acabou de forma dramática, em São Januário. Uma grade de proteção cedeu, causando um grave acidente com os torcedores. A decisão aconteceu apenas no ano seguinte com o titulo alçado pelo Vasco.

Um novo tempo
A volta do Clube ao cenário nacional aconteceu apenas nos anos 2000. Boas campanhas na Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, a volta ao cenário Internacional na Libertadores de 2004 e o Bicampeonato Estadual em 2003 e 2004.

Tudo ia bem até novo deslize, a queda em 2005, e desta vez sem a interferência de ninguém. O rendimento do time no Brasilerio foi péssimo, ficando na 17ª posição. A união da família coritibana e a força da torcida levaram o Clube novamente à elite. Hoje o Coritiba tem intenções muito maiores. Sua administração é profissional, com planejamento diretivo competente e os resultados em campo voltaram a acontecer. O orgulho coxa-branca está aceso.

Em 2007, o Coritiba conquistou o seu acesso à série A com o título do Campeonato Brasileiro daquele ano. Com uma equipe onde se destacaram diversos jogadores formados na base coxa como Henrique, Keirrison e Pedro Ken, o Coritiba retornou à elite do futebol brasileiro numa partida emocionante, onde até os 39 do segundo tempo o Coritiba perdia por 2x1 a partida contra a equipe do Santa Cruz em Recife, além de estar jogando com dois jogadores a menos. Mas foi neste momento que a garra alviverde deixou a sua marca. os 42 Pedro Ken empatou e já nos acréscimos o iluminado Henrique Dias mesmo caído, meio sem jeito, fez o gol da virada, o gol que sacramentava o retorno do Coritiba à série A com chave de ouro, como Campeão Brasileiro da Série B. A "Batalha do Arruda", marcou a torcida coxa-branca que encheu as ruas da Capital no dia seguinte para receber os campeões alvivedes.

Data: 28/04/2011


Um comentário:

  1. Um pouco desta historia eu tenho gravado em uma revista de 1940 inclusive com uma foto do Pacaembu falando do Coritiba, guardo a 7 chaves agora sei o quanto ela é importante, qualquer dia vou até o Dept. Marketing e mostrarei um grande abraço e é por tudo isso que sou COXA BRANCA

    ResponderExcluir